Por três anos, fãs brasileiros esperaram pelo retorno do aespa. Quando Karina, Giselle, Winter e Ningning finalmente voltaram a São Paulo, mais de 21 mil pessoas ocuparam a Mercado Livre Arena Pacaembu. A apresentação aconteceu em meio à chuva e teve momentos elogiados pelo público — mas também deixou uma pergunta difícil de ignorar: afinal, quanto vale uma experiência VIP quando o encontro com o artista dura apenas alguns segundos?
O show aconteceu. A polêmica veio logo depois.
O aespa voltou ao Brasil em 4 de setembro, como parte da turnê SYNK : COMPLæXITY. A noite tinha todos os ingredientes de um grande retorno: uma das maiores girl groups do K-pop, produção de grande escala, fãs que aguardavam anos pelo reencontro e uma arena com milhares de pessoas.
Só que, nas horas seguintes ao encerramento, as redes sociais passaram a falar de outro assunto. Parte do público que comprou pacotes VIP relatou frustração com o chamado Send-Off, experiência realizada depois do show para uma parcela dos fãs.
R$ 2,6 mil por uma despedida de segundos?
É aqui que a discussão ficou mais intensa. O problema não foi simplesmente o preço de um ingresso: foi a diferença entre a expectativa criada por uma experiência premium e o que parte dos compradores afirma ter recebido.
Para quem passa horas na fila, enfrenta calor, chuva e toda a ansiedade de um show desse porte, a expectativa de um momento especial com as artistas é naturalmente alta. Quando esse momento acontece de forma quase instantânea, a sensação de frustração pode ser ainda maior.
Também surgiram reclamações relacionadas à distribuição de itens dos pacotes VIP e à dificuldade de encontrar informações depois do show. Uma reclamação publicada após o evento descreveu problemas para localizar a entrega dos kits e criticou a organização da experiência.
Karina, Giselle, Winter e Ningning, integrantes do aespa. Imagem promocional.
E não foi só o Send-Off
Outro ponto que movimentou as redes foi o repertório apresentado em São Paulo. Três músicas que alguns fãs esperavam não apareceram na apresentação, entre elas Drama, um dos grandes sucessos do grupo.
A princípio, parte do público relacionou a ausência das faixas à chuva e aos atrasos provocados pelas condições climáticas. Depois, porém, esse entendimento foi esclarecido: segundo informações divulgadas pela equipe do evento à imprensa, as etapas asiática e americana/sul-americana da turnê possuem repertórios diferentes. Portanto, as músicas não foram retiradas especificamente por causa do atraso ou de um suposto limite de horário da arena.
A chuva também mudou a experiência
Se houve uma personagem inesperada naquela noite, foi a chuva. A apresentação aconteceu sob condições climáticas adversas, o que tornou a experiência mais difícil tanto para o público quanto para a produção.
Ainda assim, as integrantes mantiveram o show e demonstraram preocupação com os fãs. No fim da apresentação, Ningning chegou a aconselhar o público a tomar um banho quente e beber algo quente ao chegar em casa.
O que ficou evidente é que o problema não está necessariamente no show em si. A discussão nasceu principalmente da experiência que veio ao redor dele — especialmente para quem pagou muito mais esperando um contato próximo com o grupo.
Por que isso incomodou tanto?
A polêmica do aespa expõe uma questão cada vez mais comum no mercado de K-pop: experiências exclusivas passaram a fazer parte importante da economia dos grandes shows. Só que, quanto maior o preço e mais exclusiva a promessa, maior também é a expectativa do público.
Quando essa expectativa não é correspondida, a discussão deixa de ser apenas sobre fandom. Ela passa a envolver transparência, organização de eventos e o que exatamente o consumidor pode esperar ao pagar por um benefício adicional.
No caso do aespa, as críticas não apagaram o tamanho do evento. Mais de 21 mil pessoas estiveram na apresentação e o grupo mostrou por que continua sendo uma das principais forças da nova geração do K-pop. Mas a repercussão do Send-Off acabou dividindo espaço com a música e transformando o pós-show em uma segunda parte da história.
O que acontece agora?
Nas redes sociais, fãs brasileiros passaram a reunir relatos e discutir possíveis medidas relacionadas à experiência adquirida. A dimensão que essa discussão terá ainda depende de eventuais posicionamentos oficiais e de como os organizadores responderão às reclamações.
Uma coisa, porém, já ficou clara: o retorno do aespa ao Brasil não terminou quando a última música acabou. Para muitos fãs, a verdadeira conversa começou justamente quando as luzes do palco se apagaram.
CNN Brasil, Billboard Brasil, Ticketmaster Brasil, Vagalume e R7. Este texto foi produzido e editado pelo PRISMA com base nas informações publicadas por essas fontes.